CINEMA: “CORRA!” É UM DOS MELHORES FILMES DO ANO; FUJA DE “REI ARTHUR”

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Olá queridos leitores. Nesta semana de frio em Salvador, vale a pena largar o edredon e ir assistir “Corra!”, o candidato a se tornar um dos melhores filmes do ano.

Chris (Daniel Kaluuya) é um jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). Chegando no local, uma espécie de sítio, encontra os sogros amorosos, mas as pessoas que trabalham lá, negras como ele, se mostram apáticas.

A partir daí, caro leitor, é tensão do início ao fim de Corra!. Não é possível falar muito do filme, já que a chave é o mistério, mas o diretor e roteirista Jordan Peele (de comédias como MadTV) elaborou um belo longa que faz crítica social e ainda prende a atenção do espectador. E consegue fazer os dois com eficácia elevada.

O ator Daniel Kaluuya (de Black Mirror) está excelente no papel, mostrando o terror que sente, apenas com o olhar. Destaque também para  Lil Rel Howery, que interpeta o melhor amigo dele, Rod Williams.

“Corra!” é um filmaço imperdível.

Por outro lado…

“Rei Arthur – A Lenda da Espada” consegue a proeza de transformar uma das histórias mais bacanas e conhecidas em um filme modorrento, de dar sono.

A história mostra o jovem Arthur descobrindo ser filho de um rei antigo ao conseguir tirar a espada de uma pedra. Porém, ele terá que enfrentar o seu tio Vortigern (um vilão insosso interpretado por Jude Law).

Dirigido por Guy Ritchie (dos dois Sherlock Holmes), o longa tem tudo aquilo que é positivo no cinema do britânico, mas de forma exagerada.

Há as famosas narrações simultâneas de eventos que acontecem, mais imagens do que vai acontecer e até outras que aconteceram, mostrando uma confusão narrativa decepcionante – sim, sei que é um estilo do diretor, mas repetir o recurso seis, sete vezes em um filme de 2h acaba cansando.

Para piorar, Guy Ritchie ainda desvia a atenção do espectador colocando o jogador David Beckham em uma cena chave do filme, mas a presença dele acaba chamando mais a atenção do que a ação.

E como se faz um filme de Rei Arhtur sem Merlin? No lugar dele, colocaram Astrid Bergès-Frisbey como a filha do famoso mago, apenas para ter uma mulher que poderia ser interesse romântico do rei Arthur.

Apesar de tudo, Charlie Hunnam (de Sons of Anarchy) convence no papel do protagonista. Pena que o roteiro não esteja a altura. É filme para assistir quando sair na Netflix, e olhe lá!

Vai ficar em casa?

A Netflix teve uma semana fraca de estreias. Um dos destaques é o romântico “Em Algum Lugar do Passado”, estrelado pelo eterno superman Cristopher Reeve.

Na trama, Reeve interpreta um dramaturgo obcecado com a foto de uma atriz do início do século XX. Ele consegue voltar no tempo para encontrá-la e os dois iniciam uma relação amorosa.

Passou muito nos anos 80, na Sessão da Tarde, mas continua emocionando (a trilha é uma obra-prima).

E se gosta de ótimas séries policiais, assista “The Americans” (que já está na quarta temporada) e “Marcella” (só tem 1 temporada).

Por Bruno Porciuncula – jornalista, crítico de cinema e criador do blog A Volta ao Mundo em 80 Filmes (No insta, @avoltaaomundoem80filmes)